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Mediana

Eu sou mediana, nem bonita nem feia, nem alta nem baixa. Dificilmente sou notada, nunca chamo atenção e passo despercebida. Sempre a segunda opção—nos jogos escolares, na hora de formar par, no momento de escolher um grupo de trabalho.

Eu sou mediana, nunca notada nas festas, sem nenhum talento específico. Sei cantar, mas não no nível da Amy Winehouse. Sei escrever, mas não no nível da J.K. Rowling. Minha escrita é boa o suficiente para se ler, mas não para ser publicada.

Eu sou mediana, bonita o suficiente para servir de modelo de roupa, mas muito baixa ou acima do peso para uma modelo de passarela. Sei atuar, mas não bem o suficiente para o papel principal.

Ser mediana tem suas vantagens: você não se destaca, ninguém te nota ou se importa com você o suficiente para te incomodar em lojas ou supermercados oferecendo ajuda, sendo que só queria entrar e sair.

Mas também tem suas desvantagens: se declarar para alguém acima do seu padrão quase sempre resulta em um fora, e as pessoas que se interessam por você costumam não ser o que você desejava para si mesma.

Você se reinventa: estuda até tarde, corre até perder o fôlego, muda o corte de cabelo, veste as roupas que dizem estar na moda, desenha um rosto novo com maquiagem. Mas, no fim, depois de tanto esforço, o espelho ainda reflete alguém mediano.

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