O Mágico de Oz
Acho que a primeira vez que ouvi “Somewhere over the Rainbow” foi nesse filme, rico em pequenos e divertidos detalhes. Amar essa obra é quase uma obrigação. A terra de Oz é para mim a terra dos sonhos onde cada sonho e desejo pode virar realidade.
O filme começa em Kansas em um tom de sépia, vemos a Dorothy fugindo com seus livros nas mãos com seu cachorro Totó, que na verdade é interpretado por uma cadela, correndo para a fazenda dos seus tios. Reclamando da Srta. Gulch, ela nos apresenta os próximos personagens que vão aparecer ao longo do filme, mas de forma diferente do que você imagina. Dorothy é a clássica menina mimada que tem o mundo aos seus pés, mas não sabe. Sua tia Em e seu tio Henry são donos de uma fazenda clássica, com cavalos, vacas e porcos.
A Sra. Gulch aparece para levar o cachorro após supostamente ser atacada pelo cachorro para levá-lo para ser morto. Mesmo com a luta e desespero de Dorothy, o pequeno cão é levado em uma cesta pela mulher na sua bicicleta.
Dorothy chora inconsolavelmente em seu quarto quando seu cão pula pela janela. O pequeno fugiu da cesta e correu de volta para a fazenda. Com medo da Sra. Gulch aparecer novamente para levar seu querido Totó, ela decide fugir. Com uma cesta na mão e uma mala na outra, ela foge até achar um vagão parado com um velho assando uma salsicha na pequena fogueira que ele havia improvisado. O senhor, que também voltará a aparecer no filme do jeito espertinho dele, aconselha Dorothy a voltar porque sua tia sentirá muita falta dela, até ameaçou com a morte da pobre coitada tia.
Percebemos na cena em que ela decide voltar que começou uma ventania que aumentava a cada cena até aparecer o furacão. Os outros da fazenda já haviam se escondido no porão do lado de fora da casa quando Dorothy chega na casa. Ela procura, tenta achar eles dentro da casa, tenta entrar no porão mas sem sucesso e volta para seu quarto, quando de repente uma corrente de ar força as janelas abrindo-as e batendo na cabeça da menina.
Dorothy fica alguns momentos desacordada e quando ela volta a abrir os olhos ela estava no meio do furacão. Voavam vacas, celeiros e a Sra. Gulch na sua bicicleta que vira de repente ela vira uma bruxa, a Bruxa Má do Oeste.
Quando a casa finalmente pousa ela se encontra em uma vila, cheia de anões e a Bruxa Boa do Norte aparece. O filme tem muita música, um pouco de fala, mais música, fala e volta música. A cantoria é quase constante, algo que particularmente gosto muito nesse filme. A casa caiu em cima da Bruxa Má do Leste, que tinha um par de sapatos vermelhos mágicos que foram dados a Dorothy, pela Bruxa Boa do Norte, antes que a Bruxa Má do Oeste pudesse colocar as mãos neles, encerrando com a cantoria dos anões.
Dorothy pede à Bruxa Boa do Norte ajuda para voltar para casa, ela manda Dorothy para uma jornada até o Mágico de Oz. Ela só precisa seguir o caminho amarelo que ela chegará até o castelo de Esmeraldas.
No caminho, ela conhece o Espantalho que quer um cérebro, o Homem de Lata que quer um coração e o Leão Medroso que quer coragem. Todos juntos com Totó vão em busca do castelo de Esmeraldas para conseguir fazer seus pedidos ao Mágico de Oz. Os personagens que apareceram na fazenda são os mesmos atores que fazem o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão, e a Bruxa Má do Oeste também é a Sra. Gulch.
O filme tem muitos pequenos detalhes, como o espantalho que precisa de ajuda para andar e Dorothy fica puxando pela nuca enquanto andam, ou quando o Homem de Lata está com medo e ele tremia fazendo barulhos de parafusos chacoalhando e até o Leão que o rabo fica mexendo. O filme é de 1939, então quase todos os efeitos são práticos e graças à tecnologia Technicolor, o filme ficou colorido no momento em que Dorothy chegou em Oz.
Este filme fez parte da minha infância e foi ótimo revê-lo, lembrar das cenas e reviver toda a experiência que esse filme nos traz. A qualidade, as músicas e a imagem são até hoje uma das melhores obras cinematográficas do mundo. E talvez, quem sabe, além do arco-íris, encontramos também o nosso Oz.
Curiosidades sobre o filme "O Mágico de Oz":
O filme “O Mágico de Oz” foi lançado em 25 de agosto de 1939, após enfrentar muitos desafios de gravação e elenco, contando com 14 roteiristas e 5 diretores. Inicialmente, Richard Thorpe assumiu a direção, mas foi demitido por não atender às expectativas dos produtores. George Cukor foi o segundo diretor designado, porém ele nem chegou a gravar uma cena, sendo chamado para dirigir “E o Vento Levou”. Em seguida, Victor Fleming assumiu a maior parte do filme, mas deixou o projeto ao receber a oferta de dirigir “E o Vento Levou”. King Vidor foi responsável por concluir a filmagem, especialmente das cenas em Kansas. Por fim, Mervyn LeRoy dirigiu apenas algumas cenas.
Bastidores:
Homem de Lata e Espantalho:
Ray Bolger foi inicialmente escalado para interpretar o Homem de Lata, mas devido à sua admiração por Fred Stone, que interpretou o Espantalho na versão teatral de 1902, Bolger preferiu esse papel. Com isso, Buddy Ebsen foi escolhido para o papel do Homem de Lata. No entanto, Ebsen teve uma reação à maquiagem que continha pó de alumínio, o que provocou problemas respiratórios. Após apenas 9 dias de gravação, ele foi internado e rapidamente substituído por Jack Haley, o que foi difícil para Ebsen acreditar, ferindo seu orgulho.
Os anões:
Mais de 350 pessoas com nanismo foram chamadas para as cenas em Munchkinland. Muitos desses atores não falavam inglês, e muito menos sabiam cantar. Como resultado, apenas poucos personagens interagiam efetivamente com a protagonista, enquanto o restante era dublado por atores e cantores profissionais.
Dorothy:
Judy Garland foi escalada para interpretar Dorothy, embora não tenha sido a primeira escolha da produtora, pois, apesar de o personagem ser descrito como uma garota de 10 anos, Garland era considerada muito velha para o papel. Outras tentativas incluíram Shirley Temple, cujo cachê era muito alto, e que também não sabia cantar, além das atrizes mirins Deanna Durbin e Bonita Granville.
As Bruxas do Oeste e do Norte:
Inicialmente, Gale Sondergaard foi escolhida para interpretar a Bruxa Má do Oeste, mas ela não queria aparecer feia nas telas, então a vaga foi para Margaret Hamilton. Já a Bruxa Boa do Norte foi interpretada por Billie Burke, que, apesar de ter 54 anos, aparentava ser mais jovem do que a Bruxa Má, que tinha 36 anos.
Ideias descartadas:
Dorothy Loira:
Inicialmente, a personagem Dorothy seria loira, mas essa ideia foi descartada, dispensando o uso de peruca.
Leão de Verdade:
Inicialmente, considerou-se usar um leão real chamado Jackie, da MGM, para interpretar o leão na história, mas o produtor Mervyn LeRoy mudou de ideia após testá-lo.
Problemas, Acidentes e assedio:
Judy Garland:
Judy Garland foi submetida a condições de trabalho exaustivas, sendo forçada a gravar por longas horas, chegando a trabalhar 18 horas por dia durante meses para acelerar a produção dos filmes. Para lidar com a pressão e o cansaço, Judy foi induzida a consumir drogas estimulantes e depressivas, tornando-se dependente de remédios para dormir. Sua alimentação era restrita e ela fumava para suprimir a fome, o que contribuiu para problemas de saúde e dependência química.
Além das condições de trabalho abusivas, Judy também enfrentou assédio sexual por parte de membros do elenco dos Munchkins, os quais colocavam as mãos sob seu vestido durante as filmagens de “O Mágico de Oz”. Na época, Judy tinha apenas 17 anos, enquanto o elenco dos Munchkins era composto por homens muito mais velhos, o que tornava a situação ainda mais perturbadora.
A violência física também foi uma realidade nos sets de filmagem. Em uma ocasião, durante uma crise de riso de Judy, o diretor Victor Fleming a agrediu com um tapa no rosto, exigindo que ela se controlasse e continuasse a gravar, evidenciando a falta de consideração pelos sentimentos e bem-estar da atriz.
Para manter uma imagem de juventude, Judy foi obrigada a usar um espartilho apertado para esconder sua verdadeira idade e características físicas. Isso contribuiu para uma série de complexos em relação ao seu corpo e levou-a a desenvolver uma preocupação excessiva com sua aparência, incluindo o uso de remédios para emagrecer.
Ao longo de sua carreira, Judy lutou contra a depressão e enfrentou várias tentativas de suicídio, refletindo o impacto devastador das pressões e abusos que sofreu na indústria do entretenimento. Infelizmente, ela faleceu tragicamente aos 54 anos, vítima de uma overdose, encerrando prematuramente a vida de uma das maiores estrelas de Hollywood.
Buddy Ebsen e Jack Haley:
Buddy Ebsen foi originalmente escalado como o primeiro Homem de Lata antes de enfrentar problemas com a maquiagem, levando-o a ser internado no hospital. Ele foi rapidamente substituído por Jack Haley, uma situação que o deixou profundamente humilhado, conforme relatou.
Durante as gravações com Haley, a maquiagem foi alterada para usar pasta de alumínio. A roupa era tão rígida que ele não conseguia sentar, então sua única forma de descansar um pouco era apoiando-se na parede ou em uma placa.
Bert Lahr:
Bert Lahr, que interpretou o Leão Covarde, enfrentou desafios significativos devido à sua pesada fantasia, que pesava mais de 45 quilos e continha partes de leão reais. Por conta da tecnologia Technicolor utilizada no set, as luzes precisavam ser intensas, elevando a temperatura do ambiente para até 40 graus Celsius. Isso causava desconforto extremo ao ator, que suava profusamente sob a fantasia. A cada noite, duas pessoas eram encarregadas de limpar e secar a fantasia, que ficava completamente encharcada de suor. Mesmo com a constante limpeza o elenco reclamar do mal odor da fantasia.
Além dos problemas com a fantasia, Lahr enfrentava dificuldades com as próteses, as quais impossibilitavam que consumisse alimentos sólidos durante as gravações. As próteses continham partes de papel marrom, o que o obrigava a se alimentar exclusivamente de milk-shakes e sopas durante os dias de filmagem. Essas restrições alimentares, somadas ao desconforto físico causado pela fantasia, tornaram as gravações ainda mais desafiadoras para o ator.
Ray Bolger:
Ray Bolger, que interpretou o Espantalho, enfrentou dificuldades com a maquiagem e as próteses de borracha. No filme, são perceptíveis as linhas no rosto do personagem, que foram aplicadas para imitar o tecido. Mesmo depois de meses da gravação, as marcas das próteses permaneceram visíveis, levando mais de um ano para desaparecerem completamente, conforme relatado por ele próprio.
Margaret Hamilton:
Margaret Hamilton, que interpretou a Bruxa Má do Oeste, também enfrentou dificuldades durante as gravações. Sofreu um acidente enquanto filmava uma cena na qual deveria cair em um alçapão seguido por faíscas. No entanto, o fogo a seguiu e a porta não se abriu rápido o suficiente, resultando em queimaduras de terceiro grau em sua mão e rosto. Devido à presença de cobre na maquiagem, esta derreteu durante o acidente, exigindo uma solvente que causou fortes dores à atriz durante a remoção.
Os Macacos voadores:
O elenco que compôs os lacaios da Bruxa Má do Oeste, os macacos voadores, eram suspensos em cordas de piano e, ao serem atirados, eram bruscamente derrubados, resultando em muitas quedas e ferimentos para os atores.
Terry:
O nosso ator canino também não saiu ileso nas gravações. Infelizmente, durante as filmagens, um ator pisou acidentalmente no cachorro, quebrando duas patas do Totó, o fiel companheiro de Dorothy.
Neve Toxica:
A neve utilizada pela produção era feita de amianto, um material de construção extremamente tóxico.
Coincidência interessante:
Roupa do mágico de Oz:
Na busca pela roupa perfeita para conferir um ar mágico, a equipe de produção procurou em diversos brechós pelo smoking ideal. Quando finalmente Fleming escolheu a vestimenta para o Mágico de Oz, notaram na etiqueta que o proprietário anterior era o próprio autor da história, L. Frank Baum. Após as gravações, a roupa foi devolvida à sua esposa.
Índice
- Atores:Judy Garland (Dorothy), Frank Morgan (Oz), Ray Bolger (Espantalho), Jack Haley (Homem de Lata), Bert Lahr (Leão Medroso), Billie Burke (Bruxa Boa do Norte), Margaret Hamilton (Bruxa Má do Oeste)
- Direção:Victor Fleming
- Produção:Victor Fleming, Mervyn LeRoy
- Roteiro:Noel Langley, Florence Ryerson, Edgar Allan Woolf
- Gênero:Musical, Infantil, Fantasia
- Lançamento:1939
One Comment
Joji
Gostei muito, informativo e de fácil entendimento, me fez olhar para a obra com outros olhos. E também, me interessado sobre assuntos que envolvem o filme em si, como uma produção. Meus parabéns ^^